Clima organizacional

Clima organizacional

Volume 18 Nº 1 (2021) REGEM abr 2021

ISSN 2763-8022 (International Standard Serial Number)

por Prof. MSc. Saulo Carvalho
*direitos reservados ©. Texto com liberdade de citação: CARVALHO, Saulo Henrique

Clima organizacional: Há dois anos escrevi sobre a importância de identificar de forma científica o perfil de relação dos funcionários para com os objetivos das empresas. Os resultados empresariais diários, de curto, médio e longo prazos são diretamente influenciados entre os interesses de lucro da organização, sua relação com o ambiente social e os interesses individuais dos trabalhadores. Nas últimas duas décadas, os interesses dos trabalhadores e a relação destes com o trabalho mudaram radicalmente. Pesquisa recente realizada com 2.285 profissionais e publicada pelo periódico de Harvard revelou que 9 entre 10 estão dispostos a receber um salário menor por um trabalho que transporte significado e propósito para suas vidas.

De certa forma isso para nós não é novidade. Há mais de dez anos prestando consultorias e nos relacionando com pequenas, médias e grandes empresas, constatamos nos resultados das Pesquisas de Clima Organizacional que aplicamos com média de 250 indicadores que o salário recebido não é a primeira e nem a segunda causa de insatisfação das equipes.

Por outro lado, vejo poucas empresas que entenderam esse novo cenário e estão agindo de verdade para alinhar seus propósitos com os propósitos de seus funcionários. A grande maioria das organizações ainda está vendada para essa realidade perdendo grandes oportunidades para estabelecer diferencial competitivo em seus mercados e aumentar seus resultados financeiros.

Para isso, a missão da empresa não pode ser diariamente confundida com o lucro. Lucro nas atividades empresariais não é missão mas sim obrigação.

Clima Organizacional: A melhor maneira de entender se sua empresa, seja ela pequena, média ou grande, está cumprindo a missão a que se propõe (partindo do princípio que de fato ela já tenha uma missão) é uma bem planejada e aplicada Pesquisa de Clima Organizacional. Com a PCO, você entenderá melhor o grau de engajamento de seus colaboradores com a missão, visão e valores de seu negócio e poderá adotar medidas corretivas nesse contexto. Investir em quaisquer estratégias sem antes resolver essa equação e mitigar os obstáculos que impedem o real engajamento de seu quadro de colaboradores, é aumentar suas chances de fracasso. Lembre-se: se você não combinar suas estratégias com os colaboradores e fazer com que de fato acreditem nelas, eles irão fatalmente lhe sabotar intencional ou não.

Prof. MSc. Saulo Carvalho

A empresa já não deve pensar no lucro como cerne de sua existência. Esse pensamento básico e largamente propagado durante os séculos XIX e XX, é simplista demais não possuindo, inclusive, marcas de inteligência em mercados atuais.

Eu vivo porque respiro e respiro oxigênio para viver. Mas não vivo pelo ou para o oxigênio. Como o oxigênio existe em farta abundância, e com quase toda certeza não me faltará, ele permeia minha existência sem quase ser percebido, mas nunca sem perder sua importância fundamental. Já o dinheiro falta. E não existe com tanta abundância. Por isso, facilmente a empresa (pessoa) dele sente severa ausência, provocando por sua vez, inexorável dependência.

A necessidade provoca dependência e o dinheiro passa ser causa quando deveria ser consequência. A empresa (pessoa), sim, precisa de lucro para subsistir, mas nunca deveria existir (viver) pelo ou para lucro ou, quando mais brandamente, ele não deveria ser sua primeira razão de existir.

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SUCESSO

A monetização em empresas de sucesso e grande lucratividade que por vezes gera unicórnios e negócios disruptivos ocorre em empresas que têm DNA para propiciar relevância na vida das pessoas. Não é core dessas empresas o lucro e sim conectar indivíduos em torno de algo importante para suas vidas e para a sociedade. Objetivo alcançado, o lucro torna-se caminho natural, seja por um patrocinador master que se beneficia dessa conexão, seja por meio pay per capita.

O lucro através da relevância criada na vida do consumidor é receita dos sucessos empresariais (paradoxo da globalização). Ao passo que a relevância através do lucro mostra-se um caminho sem grandes resultados, grandes dificuldades concorrenciais (torna-se simples um concorrente lhe imitar) e rasa perenidade do produto, consequentemente, do lucro em si.

Torna-se fundamental, às pessoas que dirigem uma pequena, média ou grande empresa, fazerem a si próprias a pergunta de maior valor: Por que eu produzo?

A resposta a essa pergunta deve ser a razão da existência de uma empresa. O falecido Peter Drucker já defendia o abandono do pensamento obtuso de gestores que estabelece a razão da existência de suas organizações no lucro levando ao equívoco, que este, o lucro, está dentro das empresas quando de fato está fora. Dentro das organizações habitam os custos que devem ser objeto de incansável gestão para atingir os lucros externos.

Drucker também apontava o enorme prejuízo de tempo e recursos em investir na geração e aplicação de estratégias sem antes analisar o clima organizacional para garantir que uma empresa esteja cumprindo sua missão junto ao mercado, ou seja, seu “por que?”. Pense nisso: lucro não é a razão de uma empresa existir. Lucro é obrigatório para manter as operações em funcionamento.

A melhor maneira de entender se sua empresa, seja ela pequena, média ou grande, está cumprindo a missão a que se propõe (partindo do princípio que de fato ela já tenha uma missão) é uma bem planejada e aplicada Pesquisa de Clima Organizacional. É cuidar de pessoas!

Com a PCO, você entenderá melhor o grau de engajamento de seus colaboradores em relação a missão, visão e valores de seu negócio e poderá adotar medidas corretivas nesse contexto. Investir em quaisquer estratégias sem antes resolver essa equação e mitigar os obstáculos que impedem o real engajamento de seu quadro de colaboradores, é aumentar suas chances de fracasso. Lembre-se: se você não combinar suas estratégias com os colaboradores e fazer com que de fato acreditem nelas, eles irão fatalmente sabotá-las intencionalmente ou não.

O gestor inteligente deverá aplicar esse olhar ao mercado e ao mesmo tempo voltá-lo ao seu público interno. Ou seja, propiciar relevância ao seu público interno torna verdadeira a missão de levar valor e excelentes serviços e produtos aos clientes. Essas ações são a melhor maneira para aumentar de forma sustentável e sólida a lucratividade de sua empresa. Pense nisso!

Referências:

DRUCKER, Peter Ferdinand. A administração na nova sociedade. São Paulo: Nobel, 2002.

HARVARD, Business Review. https://hbrbr.com.br/menos-dinheiro-para-realizar-um-trabalho-mais-significativo/. Acessado em janeiro de 2019.

Citação a CARVALHO, Saulo Henrique.

Professor Mestre Saulo Carvalho é Mestre em Gestão e Planejamento (UNITAU) stricto-sensu. Pós-Graduado em Comunicação e Marketing Empresarial (UMESP) lato-sensu, Graduado em Administração de Marketing (UMESP). Admitido em regime especial ao Doutorado sobre Pesquisa Operacional (ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica e Universidade Federal de São Paulo).

Consultor empresarial com atuações no Brasil e América Latina. Ministra disciplinas de Administração, Marketing, Pesquisa e Planejamento Estratégico aos cursos superiores de Administração, Marketing e Engenharia. É pesquisador sobre Gestão, Marketing e Ambiente Econômico. Desenvolve e aplica pesquisas científicas sobre Gestão e Marketing.

Lattes CNPq: http://lattes.cnpq.br/4888421957045803

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5 comentários

  1. Viviane Foleis disse:

    Excelente matéria professor.
    Parabéns!!!

    • iBlueMarketing Consultoria disse:

      Obrigado Viviane! É uma honra saber que você sempre acompanha nossos conteúdos!

  2. Jefferson Guimarães disse:

    Muito esclarecedor!

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