O marketing digital que você conhece está errado

O marketing digital que você conhece está errado

Marketing Digital no Brasil
Sobre o autor: Mestrado em Gestão e Planejamento | Especialização em Comunicação Empresarial e Marketing. Atuações e consultorias em Gestão e Marketing no Brasil e América Latina.
Por Prof. Saulo Carvalho
*direitos reservados ©. Texto com liberdade de citação: CARVALHO, Saulo Henrique

Marketing digital no Brasil   

Marketing digital no Brasil: A legião de entendidos sobre Marketing Digital no Brasil só faz aumentar. Profissionais autônomos e empresas de comunicação estabelecem de forma frenética novos invólucros ao conceito Marketing Digital sem de fato estabelecerem as necessidades do mercado consumidor e de seus clientes. Talvez não possamos culpá-los quando a gênese da confusão precede inclusive a inexatidão do termo e das ações práticas do que largamente é conhecido como Marketing Digital.

Mercado é tudo! Todo o ambiente onde agentes econômicos (eu, você, o governo e as empresas) defendem seus interesses individuais e coletivos, onde ocorrem as trocas mercantis e onde buscamos vantagens competitivas dentro de um regime econômico capitalista e minimamente democrático (a China nos prova que capitalismo e democracia não estão necessariamente ligados).

Foi para definir esse mercado sob a ótica empresarial que Jerome McCarthy em 1960 criou os famosos 4 P´s (produto, preço, ponto de venda e promoção). Importante ressaltar que o termo “place” inicialmente foi traduzido para nosso idioma como “praça” de forma equivocada já que em nossa cultura “praça” possui conotação de localidade e o termo original é muito mais abrangente que a localização do ponto de venda, ao tratar fundamentalmente de ações de trade marketing, ou seja, tudo que é ajustado e aplicado dentro de um estabelecimento físico ou não, para melhor escoar mercadorias e serviços.

Já o P de Promoção, ou seja, a publicidade, relações públicas e a própria equipe de vendas, é sem dúvida o culpado inicial pela confusão e inconsistência do termo Marketing Digital e pelo não entendimento do que de fato é Marketing. 

As pessoas em geral associam aquilo que chega até elas ao termo Marketing. Está errado! É importante entender que Marketing não é publicidade. O Marketing se utiliza da publicidade como um de seus pilares de ações estratégicas, táticas e operacionais. Mas entendam: Marketing não é publicidade!

De 1960 para cá já se vão seis décadas e parece óbvio pensar que o ambiente mercadológico mudou drasticamente desde os 4 P´s. Portanto qual é a melhor definição para Marketing hoje? 

   Marketing é Gestão! A Gestão em equilíbrio dos 9 P´s (produto, preço, ponto de venda, promoção, pessoas, processos, provas, política e opinião pública – public opinion -). Portanto, aos 4 P´s iniciais somam-se outros cinco que surgem em Kotler (2010). Ao analisar problemas de Gestão em empresas de quaisquer segmentos e tamanhos constatamos que o nascedouro de tais problemas está exatamente no desequilíbrio de um ou mais desses noves P´s.

LEIA ARTIGO: MARKETING SIMPLIFICADO. CONSULTORIA DE MARKETING

Portanto o termo Marketing Digital deve ser mudado para Promoção Digital, ou seja, todas as técnicas utilizadas em ambiente digital para promover determinados produtos e ou serviços. A questão sine qua non portanto, não está na mudança do termo e sim nas ações que são utilizadas pela esmagadora maioria dos profissionais e até de segmentos de imprensa que se dizem especialistas em Marketing Digital mas ignoram estudos, métricas, observações práticas e principalmente Processos dos outros elementos da Gestão.

O grande erro por parte dos autoproclamados profissionais de Marketing Digital esbarra no amadorismo em acreditar que publicações em mídias digitais são suficientes para sustentar as vendas das empresas que atendem. Já por parte da imprensa a falha perniciosa está em não aprofundar conhecimento técnico e acadêmico, estabelecer ambientes de trocas práticas, entendimentos profundos sobre o comportamento do consumidor e debates profissionais sobre Promoção Digital

Sobre o marketing digital no Brasil, a imprensa ainda ajuda a infantilizar esse segmento mercadológico promovendo nomenclaturas vazias de apreciação prática, estudos técnicos e acadêmicos sobre o assunto.

Para as empresas, sobretudo as pequenas e médias que não possuem vultuosos budgets, esses erros estratégicos serão mais severamente castigados. 

O caminho que trará maior rentabilidade sustentável e irá fortalecer suas marcas em médio em longo prazos não é o mais fácil. Exige contratação de profissionais sérios, adoção de profundos conhecimentos em Gestão e tornar as ações offline e online sinérgicas. Portanto, ignorar a Gestão de Marketing e simplificá-la ao P de Promoção e publicações em mídias sociais é precipício construído ao fracasso das estratégias e investimentos realizados em ambientes online.

Dados do segundo semestre de 2017 da Kantar IBOPE sobre o marketing digital no Brasil apontam que 61% dos consumidores são receptivos a publicidade online, 68% dos adultos conectados gostam ou toleram anúncios e 36% sentem que a publicidade está mudando para melhor, 20% dos adultos conectados dizem que sempre usam bloqueadores de anúncios e afirmam que o impacto excessivo em plataformas digitais enfraquece os esforços das marcas; 71% dos entrevistados afirmam que veem o mesmo anúncio diversas vezes e os consideram repetitivos.

Pense nisso!

Fontes:

KOTLER, Philip. KARTAJAYA, Hermawan. SETIAWAN, Iwan. Marketing 3.0, as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano.1° ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

https://www.kantaribopemedia.com/50-dos-consumidores-acessam-midias-online-ao-menos-uma-vez-ao-dia-mas-a-maioria-prefere-publicidade-em-plataformas-tradicionais-aponta-kantar-media/. Acessado em 23 de fevereiro de 2019.

Citação a CARVALHO, Saulo Henrique.

Professor Saulo Carvalho é Consultor de empresas com atuações no Brasil e América Latina. Mestrado em Gestão e pós-graduado em comunicação e marketing. Ministra disciplinas de Administração, Marketing e Planejamento Estratégico aos cursos superiores de Administração, Marketing e Engenharia do centro universitário ETEP. Lattes CNPq:http://lattes.cnpq.br/4888421957045803

LEIA OS TERMOS DE USO ©


 

Um comentário

  1. […] REDES SOCIAIS: Tome cuidado! Não é toda rede social que é adequada as suas vendas e sobretudo à construção da credibilidade da sua empresa, bem como a estratégia de posicionamento de sua marca. O Facebook e o Instagram por exemplo, podem se apresentar interessantes para a venda de sorvetes, bolos ou outros produtos ligados a negócios com baixa capilaridade e ou alcance geográfico restrito, e com transações C2C (consumer to consumer) e B2C (business to consumer), ou seja, consumidor vendendo ao consumidor e empresa vendendo ao consumidor respectivamente, mas serem pouco eficazes em transações B2B (business to business), ou seja, empresa vendendo a outra empresa.  […]

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